O principal objectivo da APO é promover a formação pré e pós-graduada dos grupos profissionais que se dedicam à nossa área de intervenção - a otoneurologia. Nesse sentido, organizam-se congressos regulares, patrocinam-se reuniões promovidas por diferentes Serviços Hospitalares, colabora-se com congéneres estrangeiras, e no nosso site publicam-se artigos relevantes de autores nacionais e estrangeiros e noticia-se o que se considera relevante. 
 
A organização de reuniões é onerosa e necessita dos apoios da indústria farmacêutica e de equipamentos, apoios esses cada vez mais escassos e limitados. A presença dos seus representantes nas reuniões científicas permite, por exemplo, o contacto e demonstração de novos equipamentos e técnicas. Mas, as mais-valias das reuniões presenciais, além do interesse dos programas científicos na formação dos participantes, são o contacto entre eles e também dos participantes com os opinion-leaders convidados.  Por todas estas razões os congressos são fundamentais. 
 
Porém, nos últimos anos assistiu-se a uma proliferação de reuniões, que, se por um lado proporcionam um estímulo para os mais jovens na apresentação de trabalhos científicos e uma maior visibilidade e prestígio para as instituições organizadoras, por outro reduzem os apoios disponíveis. Chegou-se assim a uma fase de dificuldades financeiras na organização dos congressos nacionais de praticamente todas as sociedades médicas, suportados fundamentalmente pelas inscrições dos participantes, dificuldades que obrigam a grande ginástica e rigor nas despesas. 
 
XX
 
A aprendizagem desde sempre viveu da dicotomia entre o professor/formador e o aluno/formando, com recurso a meios didácticos que evoluíram ao longo dos tempos, desde o papiro às novas tecnologias de informação, nomeadamente o recurso à Internet. Por outras palavras, o ensino pôde passar a ser feito a distância, mediante a utilização de vários tipos de plataformas com diferentes capacidades, como atingindo maior ou menor de participantes, plataformas que permitem reunir virtualmente e em simultâneo no écran do computador de cada formando, conferencistas localizados até em diferentes continentes. Cada formando, no local que lhe aprouver, sem ter de se deslocar, assiste às palestras, acompanhadas por vídeos, gráficos, ppt, etc, e tem possibilidade de interagir com os palestrantes, quase como se de ensino presencial se tratasse. Tudo isto sem despesas por parte dos organizadores no aluguer de espaços, onde se aloja a audiência tradicional dos congressos.
 
Claro que estamos longe daquilo que o elearning assíncrono permite e de que é exemplo o nosso Curso de Exploração Funcional Vestibular, ou da excelência do poder de comunicação de alguns palestrantes, que por vezes circulam pela sala, suscitando eles mesmos importante interacção com a assistência, mas as videoconferências utilizadas como elearning síncrono e os webinars, neste momento, com as restrições epidemiológicas conhecidas, as quais ir-se-ão prolongar por tempo indeterminado, e as limitações financeiras que inevitavelmente comportam, estão cada vez mais na ordem do dia. Importante é o papel que as sociedades científicas, as instituições universitárias ou a Ordem dos Médicos devem desempenhar na validação dessas iniciativas. Uma coisa é marketing, outra é ensino deontológico e cientificamente correctos das matérias versadas. Este tipo de ensino a distância não é seguramente o método pedagógico de eleição, porque é essencialmente expositivo, mas proporciona de modo mais económico os objectivos de ensinar e aprender.
 
Vivemos uma época onde subitamente nos encontrámos confrontados com desafios para os quais procuramos soluções adequadas. No que se refere ao ensino em geral, surgem novos paradigmas ou recuperam-se soluções que se julgavam arrumadas na História. Neste momento tem de se apostar no ensino a distância e, desejavelmente, em cursos de elearning assíncrono. Adequar custos e benefícios, tendo em vista o mais importante – ensinar para fazer aprender, do modo mais eficaz possível, com os recursos disponíveis. É o desafio.
 
F. Vaz Garcia