A actual direção da Associação Portuguesa de Otoneurologia, eleita durante o Congresso Anual de 2010 no Carvoeiro por três anos, está agora a chegar ao fim do seu mandato. No próximo congresso anual,  em Junho de 2013, na cidade de Gaia, vão disputar-se eleições e delas surgirão os novos corpos sociais que irão estar à frente dos destinos da APO por um novo triénio. É chegado assim o momento para uma breve paragem reflexiva sobre a nossa contribuição para o desenvolvimento da APO durante este período.

Tomamos posse num período de transição e de crise económica que a todos surpreendeu pela sua dureza e extensão, e que nos causou grandes dificuldades na gestão dos nossos recursos. Passamos de uma situação de relativo desafogo económico, para uma situação em que inevitavelmente fomos obrigados a fazer uma muito maior contenção de despesas e racionalização de gastos. Como exemplo, actualmente os locais que escolhemos para a realização dos nossos congressos não podem ser de categoria superior, entre outras restrições porventura mais relevantes. Que não haja ilusões, estas condicionantes irão manter-se e porventura agravar-se, pelo que um grande esforço vai ser exigido a todos aqueles que doravante forem os responsáveis pela gestão de instituições como a nossa.

Realizamos dois congressos anuais e preparamo-nos para organizar o nosso terceiro e ultimo congresso anual no Hotel Holiday Inn em Gaia. Foi nosssa intenção, que consideramos conseguida, descentralizar os locais de reuniões de forma a que possam contemplar diferentes locais do nosso país. Assim estivemos em 2011 na Península de Troia, e em 2012 na cidade de Aveiro.

Orgulhamo-nos do nível científico alcançado com esses congressos. Esse nível depende da qualidade científica dos colegas chamados a participar activamente com conferencias e mesas redondas, dos sócios que espontaneamente se propõem a apresentar os seus trabalhos, posters ou comunicações livres no congresso, mas também do empenhamento activo na discussão de todos quantos assistem ao desenrolar das sessões, que sempre tem um alto nível de participação.  Tivemos como convidados estrangeiros entre outros Nicolas Perez, Herminio Perez, Mans Magnuson, Claus Clausen e Raymond Boniver. Este ano contamos ter a presença de Alain Semont e Herman Kingma.

Uma das organizações já tradicionais na APO é a assim chamada Reunião de Inverno que se realiza anualmente em Fevereiro. É um evento que se destina a um grupo restrito de participantes elegidos entre aqueles que mais se dedicam a determinado tema especifico da Otoneurologia. Durante o nosso mandato foram escolhidos como temas Acufenos (Curia, 2011), Reabilitação Vestibular (Vila do Conde, 2012), Doença de Meniere (Setubal, 2013). Pela primeira vez na história da APO, introduzimos a obrigatoriedade de os participantes escreverem as suas palestras organizando e editando a partir daí um livro que é distribuído em primeiro lugar a todos os sócios da APO. Esta é uma iniciativa de que muito nos orgulhamos e que gostaríamos de ver continuada.

Outra iniciativa desta Direção foi a criação das assim designadas Reuniões Ibéricas um projeto realizado em colaboração com a Comissão de Otoneurologia da Sociedade Espanhola de Otorrinolaringologia e que se propõe organizar uma reunião anual entre os colegas portugueses e espanhois. Já foram realizadas três Reuniões em Madrid 2011, Porto 2012 e novamente Madrid 2013. O próximo ano será novamente em Portugal em local a definir pela nova Direcção. Acreditamos que esta é uma iniciativa que deve ser acarinhada e preservada, por todas as razões e também porque o sucesso destas reuniões tem sido amplamente reconhecido por todos os que nela participaram.

Mas nem só de eventos cientificos vive a nossa Associação. É necessário organizar os assuntos correntes e a gestão do dia a dia. Com esse propósito e dentro das competências que nos tinham confiado, decidimos modernizar a gestão da Associação entregando o secretariado a uma organização externa, no caso a Diventos. Pensamos ter sido uma atitude louvável e que em muito vai beneficiar a gestão da APO. Naturalmente que isto implica um encargo financeiro fixo mensal a nosso ver pequeno para as vantagens que dele temos retirado, inclusive na cobrança e gestão das cotas mensais.

Financeiramente o resultado deste exercício, pese embora todas as dificuldades encontradas, é também positivo. Como irá ser demonstrado em Assembleia Geral pelo nosso tesoureiro, o saldo deste período é favorável á Associação.

O site tem sido um dos cartões de visita da APO. Passamos uma fase difícil com um ataque que redundou na paragem forçada do site mas devido ao empenhamento de todos os responsáveis este obstáculo foi rapidamente ultrapassado.

Outra das imagens de marca da Associação, verdadeira ponte de união entre todos os sócios é a nossa Newsletter. Por vezes com alguns atrasos devido a problemas editoriais, tem sido possível cumprir com a periodicidade de três exemplares por ano, o que não sendo excelente, dadas as dificuldades inerentes,  nos deve satisfazer.

Uma ultima palavra para o nova Direção a ser empossada após o Congresso de Gaia. Desejamos-lhes todas as felicidades, sabendo que o caminho que tem pela frente não é fácil, temos a certeza de que tudo farão para promover o crescimento e desenvolvimento da APO.

A todos quantos nos apoiaram neste percurso – e foram muitos – o nosso muito obrigado e a promessa de que continuaremos activos e disponíveis para novos desafios, dentro ou fora das estruturas oficiais.

Parafraseando um conhecido político, “vamos andar por aí”.

Esperamos por vós em Gaia.

Rosmaninho Seabra